SALVATORE

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Fotografia como transformação social
“Se por um lado é muito mais fácil para a fotografia reproduzir a realidade visível e dela fazer uma cópia fiel, por outro lado lhe é muito mais difícil interpretar livremente esta mesma realidade.”
Eduardo Salvatore
Fotógrafo

Desde os tempos em que o avô Eduardo Salvatore presidia o Foto Cine Clube Bandeirantes, muita coisa mudou. A evolução técnica permitiu o uso de equipamentos digitais e, atualmente até estúdios fotográficos são montados nas escolas onde Luís ministra as oficinas e os alunos aprendem sobre o uso da luz, a escolha da composição e os processos que vão desde o ato de fotografar até a edição das imagens.

Os participantes encontram uma forma de comunicação lúdica, crítica e reflexiva para se comunicar, produzir conhecimentos, resolver problemas, exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, realizando suas próprias narrativas por meio da imagem.

Ao capacitar centenas de jovens Luís possibilita a criação de uma linguagem visual, ampliando o desenvolvimento do olhar e da sensibilidade para perceber o mundo em que se vive. A oficina fomenta o desenvolvimento juvenil, sustentável e orgânico dos alunos entre seus pares locais, preservando os saberes ancestrais dentro de suas respectivas regiões.

Luis: projeto fotográfico descoberta transformação social

“Meu projeto como fotógrafo começa inspirado pela busca de um Brasil que desconhecemos. Um país rico, alegre, multicultural e com um povo incomparável.

Uma nação belíssima e colorida, mas que poucos verdadeiramente conhecem. Assim nasce a proposta de percorrer o sertão e o interior em busca de uma realidade contada e vista por meio do dia a dia de seus personagens.

Uma vontade de submergir no cotidiano do sertanejo, nos olhos do povo, como um verdadeiro intercâmbio, sem medo, sem fronteiras. Viver para compreender.

Há certos momentos de nossas vidas em que as coisas racionais se tornam sufocantes. Para muitos, este momento acontece aos 40, 50 anos. Para mim aconteceu aos 20.”

Em busca do ideal: viver fotografar compreender construir

“Das primeiras viagens e encantos junto ao povo, logo percebi que a missão tinha um propósito além do ‘viver, compreender e fotografar’. Precisava construir, também.

Se você acredita em seus ideais e quer viver disso, deve lutar e persistir. Muito.

Meu principal ideal é estar ao lado de pessoas. Faço tudo por elas, que conheço pelas estradas da vida. Aquelas que fotografo tornam-se minha inspiração, minha voz, meus sentimentos expressos. A fotografia como expressão. Mostrar toda uma união de povos, a riqueza e os detalhes de uma cultura que devemos conhecer melhor. As nossas raízes.

Não se trata de ser diferente. Se trata de ver a vida com outros olhos, e assim ver mais claramente os próprios sentimentos. Acreditar naquilo que sente, motivar aqueles que acreditam juntos, fazer acontecer nos outros aquilo que aconteceu dentro de você. E, quando parar para pensar, ver que tudo o que fez valeu a pena, pois aquele que me acompanha hoje já não é mais o mesmo. Ele é fruto do sonho interno – que cada um deveria buscar, mas que a cidade e o homem, às vezes, não deixaram.

Por isso há tempos não sou mais o mesmo, em cada instante vivido, nesta grande jornada fotográfica que alguns chamam de ação, outros de loucura e outros de inspiração.

Talvez sejam as raízes do meu próprio passado que chamam incessantemente a minha presença, minha fúria do não estar e querendo mais presente o meu saber.”

Vivendo o sonho

“Tento escalar uma parede, construindo uma escada. Ao mesmo tempo em que subo, os degraus vão sendo retirados e não tenho mais como descer.

Gostaria de ser criança novamente para não mais ver o que vejo, não pensar o que penso, não sentir o que sinto. Sigo uma trilha sem rastro, sem volta.

Pois quem é dotado de “olho fotográfico” não vê um assunto somente com os olhos físicos, mas também com os “olhos da mente”, que analisa o assunto para dele extrair uma foto que seja a maior expressão do seu modo particular de ser, de ver e principalmente, de sentir.

Boa viagem!”

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